Só bola fora nesta copa

Ainda à procura de Charlize Theron chega o segundo final de semana durante a disputa da Copa do Mundo. E se no final de semana passado estava com uma namorada, neste já estou livre e solto e com informações substanciosas de todos os países que participam para interagir com as torcedoras das 32 seleções. Fiquei lendo o “Copa Mais” e me fui informando sobre as curiosidades, as cidades, os governos e tudo mais. Pois é preciso ter assunto para puxar uma conversa. Mas há uma semana do início da Copa, só levei bola fora.
Mas vou dizer que estou bastante animado. O final de semana promete. Tem jogo da Holanda, da Dinamarca, da Itália, e claro, do Brasil. Com essas quatro seleções candidatas a melhor torcida feminina, não perco as esperanças de, pelo menos, ganhar um abraço durante a comemoração de um gol. E não tenho nenhum problema de comemorar gols de qualquer uma dessas seleções desde que seja em companhia mais que agradável. Seguindo o exemplo do presidente do país anfitrião, Jacob Zuma, eu também sou defensor da poligamia. Claro que, eu ainda não sou presidente. Por isso estou tentando algum cargo em Brasília para poder sustentar essa filosofia e forma de vida. Porque uma só mulher já é uma responsabilidade financeira, imagine mais de uma.
Assim, fui ao encontro do candidato do PSDB, José Serra que anda procurando seu candidato a vice. Roda o país inteiro para ver se algum corajoso quer fazer parte da chapa. O último que soube do tucano é que esteve aqui no Rio de Janeiro a convite de Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, para assistir o jogo do Brasil contra a Coreia do Norte. E fui dar umas dicas tentando ganhar a confiança e algum cargo que sustente meu projeto, caso ele vencer em outubro.
Eu disse ao ex-prefeito de São Paulo que se eu fosse o assessor dele, eu teria aconselhado não comparecer. A instituição da Gávea não é um exemplo de gestão, então esse não deve haver sido o assunto da reunião. O antecedente esportivo mais recente é o vice-campeonato na Liga Nacional de Basquete, então também não é um bom augúrio. Nem segundo colocado nem o prefixo “vice” deveria fazer parte das conversas. Qualquer coisa que possa associar Serra ao número 2 estaria proibido. Mas ele não foi muito receptivo às indicações.
Enquanto isso, Dilma assistiu ao jogo do Brasil em Paris, conversou com Nicolás Sarkozy e pediu para a França não ficar no caminho do Brasil na Copa do Mundo. E o primeiro-ministro francês, galante como é, aceitou e disse que para isso mandou a seleção francesa comandada por Raymond Domenech para a África do Sul. E fez bem. Domenech conseguiu deixar praticamente fora da Copa aos “bleus”. Mas não ficou quieto. O treinador francês já ganhou tempo. E na última entrevista coletiva, pediu a namorada em casamento, pois sabe que só lhe resta apenas mais um jogo. Depois pegará o avião de volta. Agora resta saber se a mulher aceitará ou não o pedido depois da vergonhosa participação.
Falando de futebol, não vi nenhuma seleção que se destacasse. Bom, talvez, a Argentina. Mas a Copa do Mundo começa nas oitavas de final. Esta fase é apenas um aquecimento. A competição para valer é quando começam os mata-mata.
Como disse antes, passou pouco mais de uma semana desde o começo da Copa. E tentando lembrar o que aconteceu, fico pasmo, percebendo que não lembro de nada além da Jabulani, algum que outro gol e o que acabei de jantar. Pois parece que minha memória atrofiou devido à quantidade de imagens, informações e lances de jogo que incorporou sem dar vazão.
Se você acreditar, meu caro leitor, nem lembro quando foi a última vez que tomei banho. Pois os jogos que não consigo assistir ao vivo, os vejo de madrugada na repetição dos canais por assinatura. Agora que disse isto, vou prontificar uma toalha e preparar roupa limpa, se não o investimento em conhecimento sobre cultura, política e artes não servirá de nada já que, deste jeito, não conseguirei chegar a menos de um metro de alguma senhorita devido a minha falta de higiene pessoal.
Mas o jogo do Brasil, hein? Ou melhor, e a partida do Brasil. Jogo não foi. Se associarmos ao termo mais literal possível, jogo é divertimento, algo lúdico. O que eu vi não tinha nada disso. Roendo unha, a mão no queixo, a mão na cabeça. Isso por quase uma hora. Depois o goleiro norte-coreano saiu longe demais – deve ser por isso que o governo do país os mantêm dentro do território, se não eles saem e não sabem para onde- e fez o primeiro gol. Depois Elano aumentou, após a bola enfiada do Robinho. E era só esperar esticar a diferença. Mas estes norte-coreanos são uma coisa. Eles negam ter torpedeado uma fragata sul-coreana em março que desatou a indignação internacional e deixou a região à beira de um conflito militar. Não sei não. Porque nesse último jogo, como quem não quer nada, eles atiraram uma vez. Os guardiões estavam olhando para outro lado e, assim, sem o menor respeito atingiram no meio do gol de Júlio César.
Agora, a nau do capitão Dunga está danificada pelo torpedo norte-coreano, e ainda sem ter recuperado a integridade física de alguns dos marinheiros, irá enfrentar os “elefantes” como é conhecida a seleção da Costa de Marfim. Haja unhas, coração, cerveja, cachaça, simpatias e tudo o que houver na frente para o Brasil não precisar chegar ao último jogo, diante de Portugal, desesperado. Embora ainda há uma última cartada e os portugueses não sabem. Eu já fiz contato com Pepe, Deco e Liedson, um jogador por linha deles para que possam dar uma força, caso seja necessário. Afinal, para isso estão os “hermanos”.
Baie geluk! (Boa sorte!)

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