A Jabulani e o Dia dos Namorados não combinam

A Copa do Mundo na África do Sul começou. E o mundo parou. Ou quase. Que coisa, além da Jabulani, aconteceu? Você sabe? Alguém sabe? O que a gente parece que sabe, é falar algumas coisas em zulu. Os jornalistas creditados na África do Sul viraram poliglotas de um dia pro outro. Alguns não, porque não tem QI suficiente, parece.
Sobre um desses, o que se sabe, é que há uma grande comunidade na Internet que pede: “Cala a boca, Galvão!”. E seria bom que assim acontecesse. Porque o absurdo de certos comentários assim o justifica. Eu peço também, e acrescento. Renato Maurício Alo Prado, também deveria fazer votos de silêncio. Prova a cada intervenção que sabe pouco, ou nada, desse jogo maravilhoso que é o futebol.
Falando em absurdos, mas em questão de imagens, está o candidato presidencial José Serra, na confirmação da sua candidatura à presidência do país pelo PSDB. Quem poderia imaginar alguém como José Serra vestido com a amarelinha? Somente delirando de febre, Serra poderia parecer um jogador de futebol. Ainda bem que as autoridades do partido colocaram o número 45. Assim, está fora dos 23 que participam de uma competição esportiva séria.
E a Dilma? Torcerá pelo Brasil? Pronunciou-se sobre as possibilidades da amarelinha na África do Sul? Ela é tão séria. Não li declaração nenhuma sobre se a candidata do PT participa de algum bolão da vida, ou qual é a sua seleção favorita ao título. Marina também não quis se pronunciar sobre a zebra da Copa, pois ela é uma ambientalista e não mistura as coisas.
Das imagens da Copa, só é possível dizer que são um show aparte. A beleza, a exuberância do país organizador e as 32 câmeras espalhadas pelo campo para não perder nada do jogo são um espetáculo pelos quais vale a pena assistir jogos como Eslovênia e Argélia, por exemplo. Quem não acha a mesma coisa é o goleiro inglês Green depois da sua infeliz participação imortalizada pelas mais variadas tomadas televisivas para sempre.
Mas você, caro leitor, caro internauta, sabe alguma coisa além que está sendo disputada a Copa do Mundo? Acontece alguma outra coisa neste mundo além de chutes, escanteios, juízes e bandeirinhas que estão apitando muito bem?
Até o Dia dos Namorados, acredito, foi tingido pela loucura do futebol. Eu, por exemplo, pedi para minha namorada que ficasse fantasiada de alguma seleção que gostaria muito enfrentar –e vencer, é claro- para temperar nosso delicioso relacionamento.
Mulher não entende nada de futebol. Eu sonhava com Charlize Theron, no entanto, ela se apresentou fantasiada de inglesa, estilo Amy Winhouse, bêbada, e com umas latas de cerveja preta na mão. Coitada, ela pensou que por eu ser argentino, a rivalidade com a Inglaterra seria empolgante. Errou no figurino. Pois, a maior rivalidade é a sul-americana. Foi tão desestimulante quanto ver jogar Gilberto Silva como titular na Seleção Brasileira.
Assim, passei a noite assistindo o VT do jogo da Argentina e a Nigéria, enquanto minha namorada raspava o bigode, limpava o rosto do excesso de maquiagem e vomitava no vaso, não necessariamente nessa ordem, nem em ordem alguma, para tirar a personagem que encarnou para me agradar.
Foi o fim do namoro. Daqui em diante, e até 11 de julho, eu vou frequentar mais a praia de Copacabana onde poderei tentar melhor sorte com autênticas torcedoras de diversas seleções do mundo. Pois o mais importante não é ganhar a Copa. E confraternizar e conhecer outras culturas. Não é mesmo?
Como eu também quero ser poliglota, queria estar por lá e claro, quero a Charlize ou uma genérica pelo menos, me despeço até a próxima em zulu: Uhambe Ilahle!

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