O Equilibrista sou eu…

O equilibrista não sou eu, ou sim. É Joaquín Sorel, ou sou eu.
Por que esse nome? Pelas iniciais.
Muitas personalidades da história moderna, em diversas áreas, se destacaram com estas letras iniciando seus nomes.
Jonas Salk, José Stalin, Julio Sosa, Joaquín Sabina, Juan J. Saer, Jerry Seinfeld, José Saramago, Jean P. Sartre, Javier Saviola, Julio Salinas, Juan P. Sorín, João Saldanha, Joan M. Serrat…
Durante um tempo pedi ajuda de amigos e colaboradores para juntar esses nomes, e quem quiser pode deixar mais dizendo porquê acrescentaria ele.
Todos eles tem a curiosa coincidência que as letras JS parecem favorecer o sucesso naquela área que encaram e assim, fugir do anonimato. Tornar-se célebres. Estes são alguns exemplos que não pretendem ser politicamente corretos, como eu que também não estou interessado em sê-lo, mas mostrar a notoriedade alcançada pelos nomeados sujeitos.

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Histórias de H – Pour Florence

Não era precisamente um garoto e, houve um tempo em que, na disputa mental entre o calendário e seus hábitos e costumes, a vantagem era do passar dos anos. Talvez por isso tenha se surpreendido e tenha sentido um choque elétrico bem no fundo da sua adormecida masculinidade.

É claro que o local era o suficientemente boêmio para fazer, desse comentário, primeiro uma carícia a um ego maltratado e, junto com isso, um coquetel molotov que tornaria a frase, a mulher estrangeira e o local gravuras imortais na memória desse homem.

Ambos sabiam que não tinham como referendar o elogio e a gratidão. Ela talvez pudesse. H não. Ao empecilho do tempo que restava para retornar a seu labirinto existencial, havia que acrescentar que seu vínculo com a estrangeira era bem mais de empatia pelas experiências comuns que uma questão física, ou química.

Nos últimos tempos, H estava cada vez mais convicto que nada sacudiria sua tranqüilidade. Por isso, quando “ganhou” essa frase altamente gratificante, ficou ainda mais feliz porque não tinha como dar continuidade ao que, anos antes, com inexperiência e empolgação maiores, sem duvida o levaria a consumar a conquista. Justamente o fato de não poder fazê-lo, permitiu uma paz de espírito, a não pressão de ter que se provar e provar para a “gringa” que a percepção dela não estava nem um pouco errada.

H se sentiu pleno, leve e contente com a liberdade total de decidir o que fazer. Ou, para melhor dizer, passar para a francesa que ele era livre e que decidia não ir fundo porque curtia muito mais as palavras recebidas que estragá-las com ações que acabariam por vulgarizar o “misticismo” da situação.

Sabedoria dos anos ou perda dos reflexos sexuais mais básicos diante dum estímulo?
Essa noite, H não se tomou o trabalho de analisar, nem a possibilidade de duvidar. Olhou nos olhos azuis dela, mostrou um sorriso levemente cúmplice e mal-intencionado e continuou na cadência da música que estava tocando e que arrastava à multidão pelas vielas da cidade velha. “O prazer tem essas curiosas hipérboles com as que ele pode se expressar” pensou, enquanto se deixava levar pelo som do trombone, a percussão e um violão que, acompanhados por uma vez feminina digna de uma sereia que ninguém teria conseguido se afastar.

Pela primeira vez em muitos anos, o bom doutor se libertara de seu racional para se entregar ao som e ao encanto de uma dança como se estivesse possuído, ou sob algum encantamento. Na verdade o rum e o calor doce e aconchegante da praia equatorial, combinado com o maravilhoso rebolar desse corpos quentes e a alegria imensa que os dentes incrivelmente brancos irradiavam em cada um dessas centenas de sorrisos foram suficiente para tirá-lo da razão.

Já a turista se entregava freneticamente à bebida, cigarro e aos braços dos muitos moradores locais que a procuravam para dançar. O que há de melhor para uma mulher que ser cobiçada por um monte de homens no mesmo local à vista de todos eles? H pensou que ela estava mais do que feliz, no clímax da felicidade e por isso mesmo, porque muitos homens conseguiam fazê-la sentir assim, ele não tinha mais responsabilidade com isso. Podia ser feliz sem peso na consciência, sem ter obrigação de retribuir. Era a sensação mais leve e prazerosa que sentira em anos.

- E aí que reside o segredo. O perigo de tudo – pensou em um rápido momento de lucidez. A felicidade pessoal atrelada a fazer feliz o outro, é uma dificuldade, concluiu H. E voltou a cair no ritmo, encheu a boca com o último gole de rum e, timidamente, balançava ao som da música e das pessoas em volta dele.

Foi assim que decidiu, repentinamente, atravessar a multidão em direção a ela. Não foi fácil, as ruas eram estreitas, cheias de paralelepípedos e de gente. Quem quebrava o vaivém da multidão precisava se esforçar muito para sair da corrente. H sabia disso mas não se importou. Pacientemente chegou à francesa, e olhou mais uma vez nos olhos azuis. Nesse momento, pareceu que não houvesse mais música, mais multidão, mais nada. Foi breve. Colocou suas mãos em torno do rosto dela e a beijou na boca, com um beijo doce, que nada tinha a ver com uma instigação. Um beijo quase de agradecimento. Depois, desandou o caminho que tinha feito e foi embora, deixando para trás a música, as vielas, a multidão e a tristeza e melancolia que o perseguia e que, mais cedo ou mais tarde, o alcançaria novamente.

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Só bola fora nesta copa

Ainda à procura de Charlize Theron chega o segundo final de semana durante a disputa da Copa do Mundo. E se no final de semana passado estava com uma namorada, neste já estou livre e solto e com informações substanciosas de todos os países que participam para interagir com as torcedoras das 32 seleções. Fiquei lendo o “Copa Mais” e me fui informando sobre as curiosidades, as cidades, os governos e tudo mais. Pois é preciso ter assunto para puxar uma conversa. Mas há uma semana do início da Copa, só levei bola fora.
Mas vou dizer que estou bastante animado. O final de semana promete. Tem jogo da Holanda, da Dinamarca, da Itália, e claro, do Brasil. Com essas quatro seleções candidatas a melhor torcida feminina, não perco as esperanças de, pelo menos, ganhar um abraço durante a comemoração de um gol. E não tenho nenhum problema de comemorar gols de qualquer uma dessas seleções desde que seja em companhia mais que agradável. Seguindo o exemplo do presidente do país anfitrião, Jacob Zuma, eu também sou defensor da poligamia. Claro que, eu ainda não sou presidente. Por isso estou tentando algum cargo em Brasília para poder sustentar essa filosofia e forma de vida. Porque uma só mulher já é uma responsabilidade financeira, imagine mais de uma.
Assim, fui ao encontro do candidato do PSDB, José Serra que anda procurando seu candidato a vice. Roda o país inteiro para ver se algum corajoso quer fazer parte da chapa. O último que soube do tucano é que esteve aqui no Rio de Janeiro a convite de Patrícia Amorim, presidente do Flamengo, para assistir o jogo do Brasil contra a Coreia do Norte. E fui dar umas dicas tentando ganhar a confiança e algum cargo que sustente meu projeto, caso ele vencer em outubro.
Eu disse ao ex-prefeito de São Paulo que se eu fosse o assessor dele, eu teria aconselhado não comparecer. A instituição da Gávea não é um exemplo de gestão, então esse não deve haver sido o assunto da reunião. O antecedente esportivo mais recente é o vice-campeonato na Liga Nacional de Basquete, então também não é um bom augúrio. Nem segundo colocado nem o prefixo “vice” deveria fazer parte das conversas. Qualquer coisa que possa associar Serra ao número 2 estaria proibido. Mas ele não foi muito receptivo às indicações.
Enquanto isso, Dilma assistiu ao jogo do Brasil em Paris, conversou com Nicolás Sarkozy e pediu para a França não ficar no caminho do Brasil na Copa do Mundo. E o primeiro-ministro francês, galante como é, aceitou e disse que para isso mandou a seleção francesa comandada por Raymond Domenech para a África do Sul. E fez bem. Domenech conseguiu deixar praticamente fora da Copa aos “bleus”. Mas não ficou quieto. O treinador francês já ganhou tempo. E na última entrevista coletiva, pediu a namorada em casamento, pois sabe que só lhe resta apenas mais um jogo. Depois pegará o avião de volta. Agora resta saber se a mulher aceitará ou não o pedido depois da vergonhosa participação.
Falando de futebol, não vi nenhuma seleção que se destacasse. Bom, talvez, a Argentina. Mas a Copa do Mundo começa nas oitavas de final. Esta fase é apenas um aquecimento. A competição para valer é quando começam os mata-mata.
Como disse antes, passou pouco mais de uma semana desde o começo da Copa. E tentando lembrar o que aconteceu, fico pasmo, percebendo que não lembro de nada além da Jabulani, algum que outro gol e o que acabei de jantar. Pois parece que minha memória atrofiou devido à quantidade de imagens, informações e lances de jogo que incorporou sem dar vazão.
Se você acreditar, meu caro leitor, nem lembro quando foi a última vez que tomei banho. Pois os jogos que não consigo assistir ao vivo, os vejo de madrugada na repetição dos canais por assinatura. Agora que disse isto, vou prontificar uma toalha e preparar roupa limpa, se não o investimento em conhecimento sobre cultura, política e artes não servirá de nada já que, deste jeito, não conseguirei chegar a menos de um metro de alguma senhorita devido a minha falta de higiene pessoal.
Mas o jogo do Brasil, hein? Ou melhor, e a partida do Brasil. Jogo não foi. Se associarmos ao termo mais literal possível, jogo é divertimento, algo lúdico. O que eu vi não tinha nada disso. Roendo unha, a mão no queixo, a mão na cabeça. Isso por quase uma hora. Depois o goleiro norte-coreano saiu longe demais – deve ser por isso que o governo do país os mantêm dentro do território, se não eles saem e não sabem para onde- e fez o primeiro gol. Depois Elano aumentou, após a bola enfiada do Robinho. E era só esperar esticar a diferença. Mas estes norte-coreanos são uma coisa. Eles negam ter torpedeado uma fragata sul-coreana em março que desatou a indignação internacional e deixou a região à beira de um conflito militar. Não sei não. Porque nesse último jogo, como quem não quer nada, eles atiraram uma vez. Os guardiões estavam olhando para outro lado e, assim, sem o menor respeito atingiram no meio do gol de Júlio César.
Agora, a nau do capitão Dunga está danificada pelo torpedo norte-coreano, e ainda sem ter recuperado a integridade física de alguns dos marinheiros, irá enfrentar os “elefantes” como é conhecida a seleção da Costa de Marfim. Haja unhas, coração, cerveja, cachaça, simpatias e tudo o que houver na frente para o Brasil não precisar chegar ao último jogo, diante de Portugal, desesperado. Embora ainda há uma última cartada e os portugueses não sabem. Eu já fiz contato com Pepe, Deco e Liedson, um jogador por linha deles para que possam dar uma força, caso seja necessário. Afinal, para isso estão os “hermanos”.
Baie geluk! (Boa sorte!)

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A Jabulani e o Dia dos Namorados não combinam

A Copa do Mundo na África do Sul começou. E o mundo parou. Ou quase. Que coisa, além da Jabulani, aconteceu? Você sabe? Alguém sabe? O que a gente parece que sabe, é falar algumas coisas em zulu. Os jornalistas creditados na África do Sul viraram poliglotas de um dia pro outro. Alguns não, porque não tem QI suficiente, parece.
Sobre um desses, o que se sabe, é que há uma grande comunidade na Internet que pede: “Cala a boca, Galvão!”. E seria bom que assim acontecesse. Porque o absurdo de certos comentários assim o justifica. Eu peço também, e acrescento. Renato Maurício Alo Prado, também deveria fazer votos de silêncio. Prova a cada intervenção que sabe pouco, ou nada, desse jogo maravilhoso que é o futebol.
Falando em absurdos, mas em questão de imagens, está o candidato presidencial José Serra, na confirmação da sua candidatura à presidência do país pelo PSDB. Quem poderia imaginar alguém como José Serra vestido com a amarelinha? Somente delirando de febre, Serra poderia parecer um jogador de futebol. Ainda bem que as autoridades do partido colocaram o número 45. Assim, está fora dos 23 que participam de uma competição esportiva séria.
E a Dilma? Torcerá pelo Brasil? Pronunciou-se sobre as possibilidades da amarelinha na África do Sul? Ela é tão séria. Não li declaração nenhuma sobre se a candidata do PT participa de algum bolão da vida, ou qual é a sua seleção favorita ao título. Marina também não quis se pronunciar sobre a zebra da Copa, pois ela é uma ambientalista e não mistura as coisas.
Das imagens da Copa, só é possível dizer que são um show aparte. A beleza, a exuberância do país organizador e as 32 câmeras espalhadas pelo campo para não perder nada do jogo são um espetáculo pelos quais vale a pena assistir jogos como Eslovênia e Argélia, por exemplo. Quem não acha a mesma coisa é o goleiro inglês Green depois da sua infeliz participação imortalizada pelas mais variadas tomadas televisivas para sempre.
Mas você, caro leitor, caro internauta, sabe alguma coisa além que está sendo disputada a Copa do Mundo? Acontece alguma outra coisa neste mundo além de chutes, escanteios, juízes e bandeirinhas que estão apitando muito bem?
Até o Dia dos Namorados, acredito, foi tingido pela loucura do futebol. Eu, por exemplo, pedi para minha namorada que ficasse fantasiada de alguma seleção que gostaria muito enfrentar –e vencer, é claro- para temperar nosso delicioso relacionamento.
Mulher não entende nada de futebol. Eu sonhava com Charlize Theron, no entanto, ela se apresentou fantasiada de inglesa, estilo Amy Winhouse, bêbada, e com umas latas de cerveja preta na mão. Coitada, ela pensou que por eu ser argentino, a rivalidade com a Inglaterra seria empolgante. Errou no figurino. Pois, a maior rivalidade é a sul-americana. Foi tão desestimulante quanto ver jogar Gilberto Silva como titular na Seleção Brasileira.
Assim, passei a noite assistindo o VT do jogo da Argentina e a Nigéria, enquanto minha namorada raspava o bigode, limpava o rosto do excesso de maquiagem e vomitava no vaso, não necessariamente nessa ordem, nem em ordem alguma, para tirar a personagem que encarnou para me agradar.
Foi o fim do namoro. Daqui em diante, e até 11 de julho, eu vou frequentar mais a praia de Copacabana onde poderei tentar melhor sorte com autênticas torcedoras de diversas seleções do mundo. Pois o mais importante não é ganhar a Copa. E confraternizar e conhecer outras culturas. Não é mesmo?
Como eu também quero ser poliglota, queria estar por lá e claro, quero a Charlize ou uma genérica pelo menos, me despeço até a próxima em zulu: Uhambe Ilahle!

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Historias de H – Recuerdos y mitos

H recordaba sus años mozos. Era joven, adolescente, y empezaba su vida de adulto prematuramente. En su tiempo libre había conseguido su primer trabajo. Pero no apenas el hecho de trabajar lo catapultaría a la adultez. Más bien las compañías.
Se relacionaría con Carlos y Carlitos.
Del primero aprendería su conocimiento del universo femenino, del segundo a apreciar la música desde un prisma diferente.
Con Carlos las charlas eran como la que uno podría tener con un hermano mayor, durante las tareas, después del almuerzo.
Carlitos era más explosivo y más joven. Era el amigo mayor que quería introducirlo a un mundo mágico al que el jovencito H no tenía acceso, tanto por desconocimiento como por inexperiencia.
Lo que le sobró a H de todo eso, fue el encanto de escuchar historias. Y quizás por eso, en su adultez absoluta, haya escogido la psicología –el arte de escuchar- en vez de la de narrar.
Desde ese entonces, siempre se emocionaba con las narraciones de otros. Le cautivaban los relatos de viajes, las emociones transformadas en párrafos, los sentimientos enaltecidos en palabras y verse representado por esos relatos.
Pero no se resignaba apenas a escuchar. Tenía momentos en los que precisaba él mismo hacer fluir su verborragia. Y lo hacía en total intimidad, en complicidad consigo mismo.
Lo hacía siguiendo un viejo precepto de su ícono intelectual. Freud.
Lavaba su alma autoanalizándose. O por lo menos, fingiendo que lo hacía, grabándose mientras hablaba.
Fue en uno de esos momentos, que H se sentó en su escritorio con un vaso de whisky y dos cubos de hielo. El grabador ya estaba encendido. Una luz tenue le iluminaba parte del rostro y parte de ese viejo mueble de madera.
Nunca era fácil empezar. Pero ese día se sentía especialmente inspirado. O mejor dicho, sentía la necesidad de sacarse de encima una sensación que le incomodaba. Y que lo perseguía desde hacía mucho tiempo. Curiosamente desde otro trago, amargo, cuyo sabor estaba presente en su memoria.
H suspiró profundamente y largó el aire pausadamente, para intentar relajarse.
- Lo supe la primera vez que te acostaste conmigo. Me llamó la atención esa manera tuya de expresar, de exhibir y de mostrar que tenías un orgasmo. Te juro que no hubiera parecido tan curioso si mi memoria me no me hubiera dicho: “¿de dónde es eso?, esto ya lo vi…”.
Agarró la bebida y le dio un trago, largo. Y continuó:
- En algún lugar lo había visto. Y así me pasé días y días intentando acordarme de dónde surgía esa imagen familiar, conocida. Y tardé un tiempo hasta darme cuenta. Pero soy un obsesivo compulsivo. Neurótico. Sabía que era una imagen mental. Pero sobre todo, imagen. Imagen y sonido. Y claro, iba a tener que acordarme. Y me acordé.
H paró la grabación. Sabía que lo que venía le dolía. Siempre le dolía recordar sus historias. Sus emociones.
No se consideraba un narrador talentoso, pero no hace falta talento, ni siquiera ser narrador, para sentirse vulnerado por las emociones producidas por los propios recuerdos. Decidió que necesitaba dar otro trago antes de continuar, y tantas veces como fuera necesario, para que su voz no se quebrara.
- Te confieso que al descubrirlo me dio escalofríos. ¿Cómo puede ser que alguien copie hasta los gestos más íntimos y los haga suyos, se los apropie?
La indignación antes que la tristeza. El desprecio antes que la pena. Una gigantesca catarata de sentimientos lo atravesaba y no podía detenerla, le invadía el alma.
- Me sentí brutalmente engañado, yo, que buscaba en cada mujer la minúscula, la microscópica particularidad que la hace diferente de las otras a la hora del amor. O de tener sexo. Porque con la mayoría fue eso. Digamos así, un trabajo de campo. Descubrir esa peculiaridad, si la había. Y ahí te cruzaste en mi camino. Y me pasó eso. Si no me hubiera dejado esta sensación tan… ¿Y por qué? ¿Por qué me sentí así?
H lo sabía bien. Intentaba mirar hacia otro lado. Negarlo. No quiso asumirlo.
- Cuando te vi, al hacerlo por primera vez, me pareció extraño. Pero al repetirlo otras veces no pude evitar darme cuenta que lo había visto en una película o algo así. Y realmente, con el correr de los días lo descubrí. Efectivamente lo había visto en el cine.
Lo que me asustó fue que yo no era más dueño de mí mismo. Había pasado el tiempo, no mucho, claro. Porque las emociones no conocen los tiempos. Por lo menos no los convencionales. Yo demoré. Tardé demasiado y me perdí.
H tuvo que parar la grabación. La voz se le quebró definitivamente. No había más nada para decir. O sí.
Se acordó de Carlos y Carlitos de nuevo. Se acordó de la primera canción que Carlitos le hizo escuchar el día que inició sus servicios. Era “El vuelo de Ícaro”. Y Carlos le contó la historia del hijo de Dédalo.
Ícaro, encantado con la posibilidad de volar, subió, subió tanto hasta estar demasiado cerca del Sol. Sus alas, construidas por su padre artesano, eran de plumas unidas por cera. Y al volar demasiado alto, al intentar escapar de la isla de Creta, el calor derritió sus alas y cayó. Cayó al mar y se ahogó.
Ese mito, esa historia, nunca se le había borrado de la cabeza. Y, de cierta forma, era un recuerdo repetido. Repetido por su memoria. Repetido por sus eventuales presentes.
H siempre supo que la tranquilidad la ofrecía el laberinto que Dédalo había hecho para encerrar a Minotauro. Y no la libertad que le prometían las alas que el mismo Dédalo había creado y con las cuales se podría volar.
La racionalidad era tener los pies sobre la tierra. El dulce encanto de sentirse en el aire, volando, contrariaba la ley de gravedad que solamente fue descubierta casi dos mil quinientos años después; y que le generaba estos estados caóticos en el alma.
Al fin y al cabo H se consolaba solo pensando que, si para que la raza humana se diera cuenta cómo realmente funcionaban las cosas fue preciso tanto tiempo, qué le quedaba a él. Un hombre cuyo período vital era infinitamente inferior.
Era una opción personal, no totalmente consciente – y eso H lo sabía mejor que nadie-, entre la tranquilidad de sus espacios conocidos y la fragilidad de las alas que le crecían cada vez que se encontraba con Leda.

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Historias de H – Invertida

Cuando se levantó de la cama y fue rumbo al baño, ella decidió que sería la última vez. Se quedó tendida en la cama y dio miles de vueltas a esa idea que ya estaba en su cabeza desde hacía algún tiempo.
Escuchaba el barullo del lavabo y más repugnancia le causaba aquel hombre que cinco minutos antes le había generado placer.
Ya había pasado de los treinta. Y cada tanto se planteaba el porqué seguir interpretando el papel de presa, de ser conquistada, cazada, seducida. Al final de cuentas, los amagos nunca llegaban a nada. Ensayos y errores. Siempre había fallas, imperfecciones y compañeros criticables que terminaban con cualquier sueño de concreción.
- Hoy es la última vez que me comporto así – se juró. Se envolvió en la sábana y cuando él regresaba del baño, al cruzarse, se deshizo de ella dejándola en el piso y entrando a ducharse, desnuda, erguida y arrogante frente a la mirada curiosa y risueña del tipo que se preparaba para seguir.

Fue el momento que más recuerda. Y el que le marcó el nuevo camino. Esa situación que ahora le causa gracia y orgullo.
- Seguro que el estúpido pensó que era otro fetiche. Otro juego. ¡Pobrecito! Fue el baño más delicioso que tomé, imaginándomelo, esperando a que regresara a la cama…
Y terminó de ducharse, agarró la ropa y salió por la puerta como si hubiera atravesado la puerta corrediza de un banco, sin prisa, pero con enorme decisión y sin mirar atrás. Un hito en su vida.
De allí en adelante, ella se dedicó a incursiones furtivas, encuentros ocasionales o, incluso, a relaciones duraderas. Pero en esas relaciones más estables, le gustaba controlar el juego. Imponer sus reglas.
Pero no resultaba sencillo. Con los hombres, porque no sabían cómo convivir con una mujer con una actitud tan decidida, tan frontal. Con las mujeres, la festejaban y la apoyaban, siempre y cuando no constituyera una amenaza directa.
Entonces, pocas amigas fieles y pocos hombres dispuestos. ¿Pronóstico a futuro? Seguramente la sensación más agobiante. Soledad.

Con esos pensamientos y un sabor amargo en la boca llegó a esa whiskería. Habían pasado ya varios años.
Sonaba de fondo algún tango de Piazzolla que no conseguía distinguir. Había acumulado experiencias, se había endurecido y la vida así era más práctica. Dominaba tan bien sus sentimientos como a sus amantes. Las angustias estaban encerradas dentro del cajón imaginario llamado “nostalgias”. Y la vida, de esta forma, se llevaba mejor.
Una barra larga y confortable se le ofrecía delante. Algunas mesas que estaban desocupadas le parecieron una opción aún peor para descansar sus huesos y calmar sus inquietos pensamientos. ¿Cómo había ido a parar a ese lugar? ¿Cómo podía recuperar aquella buena y vieja candidez que se había erosionado? Sin notarlo, se le perdió la posibilidad de emocionarse, de soñarse distinta y dejarse volar arrastrada y a la deriva.
No había más cosquillas ni compulsión al chocolate. Había perdido peso y se sabía más adusta. Pero, al mismo tiempo, no requería esfuerzos ni culpas para conseguir lo que quería.
Así estaban las cosas. Y en medio a tantas reflexiones, se dio cuenta que estaba parada en el centro del salón, obstruyendo el camino de los mozos que servían a los clientes de las mesas.
Por eso, casi por inercia, se sentó en un banco de la barra y pidió su trago predilecto, “tequila sunrise”.
A su derecha había un tipo maduro, algo jovial o irreverente – no podía definirlo con precisión – en buena forma y que estaba leyendo un libro. Ella lo observó con curiosidad.
Cuando le sirvieron el trago escuchó con sorpresa: – lo hacen con granadina y naranja, no está mal… Pero el original… ¡ése es bueno de verdad!
Ella giró y vio que el hombre sostenía el libro entreabierto con su mano derecha, la izquierda apoyada en la barra y la estaba mirando casi de frente con una sonrisa gentil y algo maliciosa.
Ella supo que, sin proponérselo, se le había presentado una nueva aventura. La idea no le disgustó y le respondió seca y rápido para mantener el dominio de la situación: – ¿sí? A mí me gusta así también…
El tipo le mantuvo la sonrisa unos segundos más y volvió a poner su atención en el libro.
Ella estaba decidida a ir hasta el final. Le parecía diferente. Incluso, llegó a imaginarse que sería alguien con el que pudiera hablar. Tener algo más que el ocasional encuentro de dos cuerpos. Y decidió tomar la iniciativa.
- Parece que entiende de bebidas, ¿qué es lo que está tomando?
Él levantó la vista del libro, con la misma sonrisa de antes. La miró, y con voz suave y decir pausado le respondió: – lo mío es ron cola, o cuba libre, como más le guste. Acérquese, me parece más interesante entablar una conversación a menos de tres metros de distancia, diferente de como estamos ahora. ¿No está de acuerdo?
Ella entendió que le correspondía moverse. Él ya estaba cuando llegó, interrumpiera su lectura dos veces y, encima de eso, había recibido, si no una invitación, una sugerencia.
Se levantó del banco, buscó su bebida y se acercó en su vestido de tarde, suelto, informal con unos zapatos elegantes, cómodos y sencillos a la vez con tacones que la hacían un poco más alta, pero que, aún más importante, elevaban ciertos atributos que sabía, eran sus puntos fuertes. Él la observaba acercarse con atención y ese rictus entre amable y perverso. Como un encantador de serpientes. Y ésa, estaba haciéndole caso.
- Muy bien, acá estamos- dijo ella al llegar.
- Bienvenida, sin duda su trago con casis y jugo de lima es mucho mejor- le respondió él cerrando definitivamente su libro, al que colocó en su bolso.
- Lo interesante de la vida, es que es así. Cambiante, sorprendente para quien deja sorprenderse. Si había algo que ya había descartado, por hoy, era conversar – confesó él.
- Pero fue usted el que me hizo el comentario sobre mi tequila… – apuntó con precisión y, sin darle tiempo a que interpretase su frase lanzó otra en sentido totalmente contrario. Corta, precisa como un dardo. – Soy Leda- y le extendió su mano.
Él la miró a los ojos. Y fue lentamente bajando hacia la mano extendida. Tal vez haya sido apenas un segundo, pero a ambos le pareció mucho más que eso. Él le tomó la mano con suavidad, pero firme, la observó rápidamente, blanca, tersa, fina. Y volvió a levantar la mirada, al mismo tiempo que le soltaba la mano.
Hizo un casi imperceptible gesto afirmativo con la cabeza, la sonrisa dibujada, y disparó: – Lindas manos, encantado.
Eligió ese silencio que tanto le gustaba, breve pero expresivo, sin quitarle los ojos de encima y se presentó: – Me llamo, o mejor, me llaman H.

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Historias de H – H de historia

Mira en el amplio salón. Sus dos orgullos están ahí conjugándose perfectamente. La cúspide desde la cual observa todo, desde donde se protege de las cosas que le ocurren al resto de los mortales y que no lo alcanzan.

Clausurado en un ambiente de madera H disfruta de su limbo. Madera en el piso, madera en los zócalos, más todavía en los muebles. Siempre se imaginó así. El placer…

- ¿A dónde mierda se fue el placer? – se pregunta H.

Decía, cuando todavía era estudiante: -la madera es un material noble, natural… por ejemplo, absorbe impactos, ruidos, tiene textura, la aprietas y parece que cede… casi carne.

Claro que no era una invención suya. Bueno, tal vez, en parte sí. Pero en algún lugar lo había leído.

Entonces, H recitó en la tranquilidad de la habitación: – Placer: del latín placēre, goce, disfrute espiritual. Satisfacción, sensación agradable producida por la realización o suscepción de algo que gusta o complace.

- La definición la tengo clara… se me perdió el camino por dónde llegar a él- se dijo a sí mismo – pero no está tan mal al final… todo esto no es poca cosa… mi profesión, mis pacientes… ¡la puta madre! – se exacerbó – ¿no me doy cuenta que me regocijo conmigo mismo?

Y fue así, que edificó su cadalso. Mucho antes de sucumbir a una pasión y abdicar a alguna que otra convicción por amor, tenía claro que ése seria siempre su espacio.

Después las cosas se fueron sucediendo. Pero inclusive en los mejores momentos, sentía una necesidad de regresar a ese salón… de esconderse aunque más no sea por un momento, de respirar ese olor… de escuchar ese silencio sacrosanto.

H contemplaba su salón. Su gigantesca biblioteca desde donde construyó su sabiduría, su conocimiento y en donde, también, con todo eso, se nutrió de su acidez, ironía, sarcasmo, nihilismo.

Y dividiendo el espacio con los libros, el generoso bar, con bebidas de todos los colores y sabores. Porque el alcohol, a veces, libera lo que tanto se esfuerza por mantenerse prisionero. Y desata los nudos del alma, llama al desahogo tan bien como al desenfreno.

Decidió encender el equipo de sonido y escuchar poesía. Una de sus actividades más inspiradoras. No sin antes mostrar su malestar por ese momento personal. Y puso en el estéreo “Lluvia”, un poema de Juan Gelman, leído y recitado por el propio poeta uruguayo. Siempre que se sentía así, solo, convulsionado, lo escuchaba.

“…mi vecino nunca le dice palabras de amor a la
mujer/
entra a la casa por la ventana y no por la puerta/
por una puerta se entra a muchos sitios/
al trabajo, al cuartel, a la cárcel,
a todos los edificios del mundo/ pero no al mundo/
ni a una mujer/ni al alma…”

H sigue observando su templo. Entrecierra los ojos, miles de recuerdos se le vienen en catarata. No le interesan. Abre los ojos. Así está mejor. Y se dirige al diván que hay entre las dos “bóvedas”. Entre el panteón de la sabiduría y el bacanal.

Sentía el deseo desenfrenado de analizarse. Estaba entre las bebidas y el diván.

-¡Ay! ¡Qué sensación de mierda! – dijo

“… como hoy/que llueve mucho/
y me cuesta escribir la palabra amor/
porque el amor es una cosa y la palabra amor es otra cosa/
y sólo el alma sabe dónde las dos se encuentran/
y cuándo/y cómo/
pero el alma qué puede explicar…”

- El amor – dijo H- ¿Qué es el amor sino un intento en vano de regresar? Sí. Es eso – se convencía. Y continuó en sus devaneos: – es el intento de volver a lo que ya no es posible recuperar.

Encendió un cigarrillo y se sirvió un whisky. Se derrumbó en el sillón, mirando hacia la ventana, como intentando que la luz le clarifique los pensamientos turbados por la sensación de tristeza, vacío, nostalgia y, por qué no, soledad.

De repente se sintió embargado de recuerdos. De las calles en las que jugaba cuando era chico, de las salidas al cine los fines de semana, de las visitas a la casa de sus abuelos… todo eso no se podía recuperar más, tan sólo cristalizarlo en la memoria.

“…por eso mi vecino tiene tormentas en la boca/
palabras que naufragan/
palabras que no saben que hay sol porque nacen y
mueren la misma noche en que amó/..”
y dejan cartas en el pensamiento que él nunca
escribirá/…”

Y entre un trago y otro se acuerda, medio en trance, medio adormecido. Las imágenes mentales se le suceden.
De niño, cuando jugaba a la pelota y volvía a casa con las rodillas y las manos sucias, mugrientas, y veía alucinado el agua turbia que dejaba cuando se limpiaba en el lavabo, mientras le duraban la adrenalina y la excitación de sentirse parte de un grupo de amigos de barrio.
También en esa época empezó a darse cuenta que las compañeritas de escuela le interesaban más de la cuenta. Y que la belleza del rostro era la puerta de un abismo insondable que solamente conocería con el pasar de los años.
Pero ya se sentía intimidado. Por ellas y por sus amigos, en esas circunstancias contendientes que lo paralizaban y así, él mismo optaba por una reclusión al interior de sí mismo.
Se sorprendió con esos recuerdos y se encontró suspirando, murmurando:
- Alejandra Cabrera… Cecilia Colasenza… ¡Qué loco!- y despejó las brumas que se empezaban a formar a su alrededor.
¡Qué estúpido era! Pero, al mismo tiempo sintió que décadas después se le aceleraba el corazón y una que otra lágrima peleaba por saltar al vacío desde sus globos oculares. Tensó el maxilar, apretó la garganta y se contuvo.
- Entonces – reflexionó H – amar es el regreso. Es volver. Volver a empezar, todo de nuevo. Volver una y otra vez.
Decidió que ya era suficiente. Había que seguir, reponerse. Había cosas que hacer…
- Después de todo lo que pasó… de todo este tiempo, ¿por qué? ¿Para qué enfrentar de nuevo los miedos, las ansiedades y todo eso? Nadie mejor que yo sabe cuánto fue doloroso – decidió H, mientras se erguía y colocaba el vaso de whisky casi vacío en la mesa del bar, restableciéndose del breve colapso.

Al final, H sabía que esa era su mejor decisión. Así lo conocían, así lo estimaban y fue así que adquirió su reducido prestigio. Y se sintió tranquilo. Con eso, y con el castillo que había construido a sus espaldas, ése que le daba refugio a la hora que necesitara.

- Tengo hambre, me voy a pedir una pizza. No hay casi nada mejor que una de napolitana. Y no cuesta tanto.
Tomó el teléfono y fue a la búsqueda de su sublimación.

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Historias de H – Un rey triste

-Doctor, sé que volvió. Disculpe invadir su privacidad, pero ¡estoy desesperado! Quiero marcar una sesión… ¡No puedo más, doctor! Sus palabras, sus observaciones.
Tengo un sueño recurrente. No consigo aliviarme. ¿Sería posible encontrarlo?- fue lo que encontró H cuando volvió de pasear casi una hora por el parque, bajo un sol tibio de otoño que le acariciaba como nunca nadie lo había hecho.
Conocía a la persona que le dejó el mensaje en el contestador. Era un buen tipo. Pero tenía sus problemas. Como todos.
Decidió que era hora para un buen baño, un desayuno con café puro recién preparado, unas tostadas con mermelada de frutas y una lectura sin grandes pretensiones.

Y vuelve… Vuelve recurrentemente. Aparece ese fulgor. Aparece en cualquier lado, al principio es tenue y poco a poco se hace más y más fuerte. Me acuerdo perfectamente que apareció casi sin darme cuenta, en un momento mis sentidos se bloquearon, y yo, que estaba conduciendo en medio de la ruta, me espanté. No conseguía ver nada, como un mareo, y tuve miedo de que nos estrelláramos todos. Sobre todo porque no cargaría con el peso de conciencia. Pensé que fuera baja presión, falta de alimentación, qué sé yo. Y que pasaría. Y pasó. Qué ingenuo que soy doctor!
Siguió apareciendo… En cualquier lugar se me aparecía. Llegué a no quedarme en casa, a dormir con las luces encendidas. Porque si estaba a oscuras, y solo, parecía que me encontraba más fácil todavía.

-¡Aaahhh!, qué fantástico darse un baño como este. La música suave, los ojos cerrados. Cuando era un joven doctor hubiera querido a una mujer acá adentro conmigo. De hecho, hacía lo imposible para conseguirme una compañía ocasional y bien dispuesta. Pero ahora paso de eso- pensaba H. Y mientras se acariciaba la cabeza, el pecho y la nuca se volvió a acordar del mensaje en el contestador. Le gustaba cuando aparecían así, imprevistamente, sus pacientes. Se acordaban de él. Solamente por eso, por su propio ego decidió que lo iba a llamar.

- Pase, pase. Se lo ve bien. Cuánto tiempo hace?- le dijo H al extenderle la mano, al intentar reconstruir el puente de la confianza que el tiempo y la distancia corroen irremediablemente. Pero sin parecer forzado, una simpatía que habitualmente no demostraba, pero que le nació sin premeditarla.
- Bien, cuénteme. Escuché su mensaje y me pareció interesante que se haya puesto en contacto. Si quiere… – le indicaba el diván o el sillón confortable que estaba casi frente a la ventana por donde entraba la luz de una tarde otoñal.
El paciente fue directamente al diván. Y, sólo entonces, H fue a su sillón y sin buscar una libreta para tomar nota, se sentó.
- Mire doctor, creo que ya le expliqué en el mensaje lo que está ocurriendo conmigo últimamente. Es eso, así como se lo expliqué. Aparece esa luz, esa sensación que me deja sin referencias… Y le confieso, no me molesta. Lo que no consigo sobrellevar es el hecho de no saber cuándo va a aparecer. Porque cuando está, lógico, la primera sensación es el susto. Pero después convivo bien. Pero, así como aparece se va- explicaba el paciente con cierta ansiedad en la voz.
- Sí, claro- dijo H. Hizo una de sus pausas clásicas, uno de esos silencios dramáticos de teatro, que él se había acostumbrado a hacer. Pura estrategia. Y después continuó: – Amigo, en el fondo, ¿cuál es la angustia? Si no la hubiera, usted no me habría llamado, ¿no es verdad?
- Es que – respondía el paciente – justamente lo que me causa esta sensación es el que no tengo ningún dominio sobre ese fulgor. Parece que estoy a merced de él. Cuando menos me lo espero, aparece. Me gusta. No puedo negarlo. Parece como si me iluminase a mí. Parece que tengo un áurea, siento que las personas me miran distinto, me siento diferente. ¿Sabe? Y cuando me estoy acostumbrando…
- Ja, ja, ja, ja… perdone que me ría- No es por lo que acabó de contar. Es que  me acordé de una historia, bastante parecida. Pero es una historia antigua que nosotros, cuando estudiamos la carrera, vemos en alguna materia. ¿Ya escuchó hablar de Pigmalión?
- ¿De quién? – preguntó el tipo dándose vuelta y casi irguiéndose del diván para mirar a H a los ojos.
- Le voy a contar. Pigmalión era un rey chipriota que buscó durante muchísimo tiempo a una mujer con la que casarse. Pero era exigente, al fin de cuentas era un rey. Tenía que ser perfecta. Pero además de rey, parece que este hombre era muy inteligente, porque supo que la búsqueda sería en vano. Y entonces se dedicó a esculpirlas. Esculpió una, tan, pero tan hermosa… que se enamoró de ella.
- ¡Escúcheme doctor!, ¿me está tomando el pelo? Yo vine acá no para que usted me cuente un cuento… vine para que me diga qué está pasando conmigo… que me ayude a quitarme esta angustia.
- ¡Espere! – le pidió, con calma y amabilidad, H al paciente. –Déjeme terminar… la cuestión es que Pigmalión tuvo un sueño donde esa estatua de la cual se había apasionado cobraba vida. La tocaba y no estaba fría como el marfil. Fue así que Afrodita, la diosa griega del amor intervino. Y le concedió la gracia que ella consideraba merecida. Le dio vida a Galatea para que Pigmalión la amara- terminó H, casi emocionado, el relato.
- Mire, yo no sé lo que me quiere decir con eso – seguía nervioso el paciente. Yo no vi a ninguna mujer o cosa parecida que me haya causado una impresión como esa, yo no soy escultor, tengo mi casa, mi trabajo, la familia con la que ocuparme… no sé por qué ahora me apareció este problema. Y le preguntó a H: – ¿Será problema de presión? Yo nunca supe si con alta presión o con baja a las personas se les nubla la vista… ¿Usted sabe? ¿Es con alta presión o con baja?
- Oiga – le respondió pacientemente H – usted me contó que no era que se le nublaba la vista, sino que sentía una luz intensa, un fulgor. Y que además le daba la impresión que lo iluminaba, me lo acaba de contar. No tomé nota, pero estoy atento a lo que dice. ¿De acuerdo? – le preguntó H.
-Sí, sí… pero qué se yo… yo no soy médico, lo mío no es escudriñar los síntomas.
-Está bien – volvió a interrumpir H.
-Pero yo me acuerdo lo que me dijo, y no fue exactamente que la vista se le enturbiaba. Me dijo, incluso, que notaba cómo los demás lo miraban diferente.

La sesión se había convertido en casi una charla. H no se sentía muy cómodo de esa manera, pero algo había en la historia que le gustaba. Y entonces seguía el hilo sin grandes problemas. Cuando el paciente, cansado de no llegar a ningún lugar, se levantó del diván y le dijo que se iba, H lo miró fijamente a los ojos. Serio.
-Escúcheme… – y volvió a usar la pausa. – Esa luz, esa cosa que tanto lo
persigue…
-¡No me diga que usted piensa que es un fantasma, un fenómeno paranormal!- se exaltó el paciente. Y casi agarrándole los brazos a H le confesó: – ya me dijeron que consulte a alguien por eso, pero yo no les quise creer, yo no creo en esas cosas. ¿Quién se va a meter conmigo? ¿Por qué?- le decía casi en un sollozo de desesperación.
- ¡Hombre, quédese tranquilo! No estoy pensando en nada de eso- lo intentó calmar H.
- Lo que le voy a sugerir es lo siguiente: intente naturalizar esa luz. Asuma que está. Que lo ilumina y que lo deja de hacer. Aprenda a convivir con eso. Imagino que, al principio, no será fácil… pero dígame: ¿Cuántos que usted conoce tienen ese privilegio de tener una cosa así? – y a medida que le hacía la pregunta, el tono de voz iba bajando, como si fuese una confesión, un secreto entre ambos, una señal de complicidad a la que solamente le faltaba el guiño de uno de los ojos.
- Doctor… usted es… cómo le puedo decir… por eso lo llamé. Usted sabe cómo tranquilizar a alguien. Sabe. Voy a tratar de seguir su consejo. Al final, me miran diferente, yo lo puedo notar. Ahora las personas me ven. Sí, sí, sí. Gracias doctor, gracias por todo… – y el paciente casi se le iba encima para darle un abrazo.
H se dio cuenta del nivel de angustia y de la incomodidad que su paciente tenía. Pero esperaba que se recuperase pronto. Lo despidió, sorprendido con su propia actitud, diciéndole: -Amigo, cualquier cosa, si necesita algo, no dude en llamarme.
Lo vió traspasar la puerta del consultorio más erguido, más firme… pero pensó cuánto tiempo le duraría eso. Y pidió que fuese para siempre.

En la calle, las hojas de los árboles ya formaban una densa camada sobre las veredas. Bien vestido, un cigarrillo en la boca y un libro bajo el brazo, H observaba en qué café pasaría el resto de la tarde. Pero no conseguía decidir un destino fijo. Ningún lugar lo convencía. En ese momento se sintió a la deriva. Sin norte, sin rumbo. Justo él.
Pensó en volver a casa. Y leer en la bañera, una copa de vino. Pero la casa le pareció peor aun. Más solitaria.
- Pigmalión… – pensó- Y soltó una ligera sonrisa. Y siguió reflexionando, mientras transitaba a la deriva por las calles pintorescas y bien cuidadas: -Profecías que tienden a realizarse cuando el deseo las impulsa. ¡Ahhh sí!, el deseo… – y soltó un suspiro prolongado.
H miró su reloj, eran las 18,45, y vió más allá de las agujas, la piel que cubría sus manos. Estaba más ajada, un poco por el frío. Y porque hacía casi trece años…
- La luz de tu intelecto H – se repitió para convencerse – Autoconfianza… esa es la clave, acordate de eso. Y pareció decidir el rumbo. Al bar más cercano, a la barra, rumbo a un buen vaso de ron cola. Dulce como Galatea, fuerte como un rey invicto.

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La revelación del espejo

Noche cerrada. Empieza a llover y las gotas golpean la ventana por donde él mira, perdido. Comenzará el ritual. Estar frente a la computadora. J sabe que ése es el mejor horario.
Relajado, consigue mantener la conversación con suma facilidad. Mientras tanto, se va sirviendo un trago para acompañarlo.
— Un vino está bien— piensa — al final es una bebida espirituosa y no es de balde que se la conozca como la bebida de los dioses.
Por eso, se sirve una generosa copa, se saca la camisa y se sienta, listo para otra noche.
Él sabe que va a cazar. Sabe que la charla es esencial. Es solamente a través de ella que se consigue el objetivo. Y también sabe que en eso, él es bueno. Bueno en conversar. Siempre se lo habían dicho. De tanto oírlo, J terminó creyéndolo. Y decidió aplicar ese don a una causa noble. O por lo menos que le trajera algún beneficio.
R llega con prisa a su casa. Vive solo y, últimamente, se volvió adicto. Lo sabe. No ve la hora de llegar y verificar los correos electrónicos que le mandaron después de una noche entera dedicado a los chats. Esa vida está acabándolo. Duerme dos, tres horas como máximo. Y mal dormidas. Se despierta. Vuelve a dormir. No consigue controlar la ansiedad, la impaciencia. — Es increíble que, siendo una invención que permite una comunicación rápida, instantánea, todavía haya que esperar por respuestas. ¿Como es posible que haya personas que no estén al día con esta revolución? – piensa.
Sube el ascensor con rapidez. Incluso, se nota el sudor en su frente. Es demasiada ansiedad. Así como la adrenalina de la búsqueda, del inicio de cada conversación. Del descubrimiento de la persona que está del otro lado. El corazón casi que se le escapa del pecho en el momento del intercambio de fotos.
J es un tipo metódico. Sabe lo que busca, como todo buen cazador. Y dónde. No pierde tiempo. Ya tiene el perfil de la presa. Y la adrenalina está, justamente, en hacer que alguna víctima caiga en la trampa. Para eso, es necesario saber cómo jugar con ella. Y está el arte en cada una de las conversaciones. Hay dedicación, un trabajo paciente, que se va perfeccionando cada vez más. Hace tiempo que se dedica a eso. Y se da cuenta cuánto fue mejorando. Y no solamente cuando está conversando. Tiene una libreta con anotaciones, detalles, las personas con las cuales ya tuvo contacto. Eso es fundamental para él. ¡Fundamental!
— ¡Por fin en casa! — es la primera caso que R. dice, mientras entra al apartamento, va dejando todo por el camino, en el piso. Cuando llega delante de la computadora y la enciende, deja atrás la carpeta, el archivo, la corbata, los zapatos y las medias. Ya frente a la pantalla, cambia el pantalón por la bermuda. Agarra una fruta al mismo tiempo que empieza a leer los mails que llegaron, y va comiéndola rápidamente.

Después de leerlos todos, va a la cinta, que está en la habitación contigua y empieza a correr. Necesita, además de estar en forma, expulsar del cuerpo las calorías, el estrés, las tensiones y la ansiedad diaria. Limpiar el organismo de las toxinas y la cabeza de los problemas. Necesita estar “Zen” antes de continuar.
Entonces, vamos. Que sea una noche provechosa. Vamos a ver lo que se consigue — se dice a sí mismo J. Y, así, abrió el programa de Chat y empezó a conversar con algunas personas de su lista. Especialmente con una de ellas. Y escribió:
-Yo no dije nada… y terminamos hablando de todo… y fue bueno, es bueno. Y te agradezco.
- Sí, yo pensé en todo eso- le respondieron. Y él siguió:
- Entonces, yo no tengo ningún derecho a exigirte, o a enojarme por nada. Porque todo esto fue sorpresivo. Una grata sorpresa. Que fue buena y sigue siéndolo. Pero a mí me gustaría ir hasta el final. Fue en ese momento que lanzó el anzuelo, con humildad escribió:
- Entonces, elegí. Yo sabré respetarte. No me voy a enojar, no te voy a protestar. Yo sé que la decisión, la que tomes, será la opción correcta.
Y así la charla continuó. En perfecta armonía. Se trataba de una rubia, exuberante, linda, que, a pesar de tener algunos años, prometía. Inteligente, exitosa y con plata. Lo que era muy importante para J. Él sabía que podía buscar amor en cualquier parte. Amor que significaba sexo. Pero más allá del sexo, resultaba importante el resto. Saber que podía sentirse agradado, recibir buenos tratos, cariños, comodidades. Eso hacía que cualquier encuentro mejorase su espíritu, lo hiciese sentirse más poderoso, más confiado y también, por qué no decirlo, más excitado. Eso era fundamental. El olor a sexo debía estar condimentado con un buen perfume francés, un Merlot o un Malbec, aceites corporales y claro, el aire dulce y suave de una casa de fin de semana arreglada y lista para recibir a los amigos.
Se acordaba de cuántas veces ya había arreglado salidas así. Muy buenas. Y ahora esa rubia. Linda. Cuerpo trabajado, arregladita, sofisticada, con lengua mordaz. Pero sutil, delicada, una señora de buenos modales y necesitada. Lo que era muy importante. Las señoras se sienten solas. Él lo sabía. E intentaba sacar provecho de eso. Siendo un tipo interesante, listo, con buen humor y soltero, tenía buenas condiciones para conseguirse algunas citas por mes. También sabía que, entre las mujeres, preponderaban los “jueguitos” en la red. El anonimato, el conocimiento fugaz, les daba una audacia que no mostraban en la vida real. Y era bueno.
— ¡Claro que es bueno! — se dijo — Ellas se abren, a todo. A todo lo que les pida. Por cierto, no tienen idea cuánto y cómo se abren. Se creen que soy un intruso que les quiere robar el corazón… pobrecitas. Soy así, claro. Pero, soy más que eso, mucho más que eso. Y les gusta someterse a ese vértigo desquiciado. Sólo que… pobres… – decía J, mientras se escribía con varias de ellas al mismo tiempo. Pero claro, dándole especial atención a la rubia, bonita, madura, cariñosa, casi una madre sustituta. Porque ya conseguía verla así.
— ¡Listo, fantástico! — saltó de la silla. Y empezó a despedirse pero, antes, era preciso arreglar los detalles de la cita. Y así lo hizo. Iba a encontrarla en una ciudad balnearia del litoral paulista. Casa linda, mujer atractiva… lo bueno y lo mejor. Y la cuenta. Ella no sabía que iba a pagar mi pasaje, mis gastos, mi estadía.
-Va a pagar, va a pagar porque es rubia, ¡ja, ja, ja! – se reía J. Y continuó: – Va a pagar porque es buena, porque me necesita… ¡qué linda! – y se reía como en trance.
- Por Dios, ¡qué bueno! Ahora necesito preparar todo. Ya está arreglado, voy a encontrarla. Ella me dijo que llegaba al amanecer, porque se toma el ómnibus y viaja toda la noche. Yo voy a esperarla frente a la terminal. Así la veo de lejos y me acerco bien despacito. Para observarla bien, para desearla más.
Y de esa forma, R. estaba totalmente inquieto de la alegría y la ansiedad. Ya se había asegurado la visita, que le había costado horas de sueño, charlas que llegaron hasta límites de ansiedad y nerviosismo jamás alcanzados, confesiones increíbles de ambas partes, e incluso, descubrir que había varias cosas en común a pesar de que vivieran tan lejos uno del otro. Comidas, salidas, colores, incluso el banco en el que eran clientes era el mismo. Hasta el banco. Increíble.
De esa forma fueron pasando los días, conversando y descubriéndose. De complicidades se erigen las buenas relaciones, hora tras hora, día tras día. Pero…
Siempre hay un “pero” en las historias. Siempre.
R. no había sido totalmente sincero. Porque se le presentó como mujer. Y así J. lo había llamado para conversar. Y siguió, después, sin aclararle que ella era, en realidad, él. Que era un hombre.
Cuando R. decidió colocarse un sobrenombre femenino, había sido para hacer una broma. Pero después, consiguió darse cuenta que los resultados y las conversaciones que él tenía eran mejores así. Entonces, lo mantuvo y continuó, un poco por pereza y otro por miedo a cómo reaccionarían sus amigos cuando supieran la novedad.
Percibió, después de un tiempo, que conversar con esa identidad le permitía disfrutar más. Las conversaciones eran más interesantes, el ángulo, la sensibilidad, la forma de aproximarse a y de él. Con las mujeres, se pasaba por amiga, y después… Con los hombres, aprendía tácticas, modos de actuar y estilos diferentes de ataques y seducción.
Fue en una playa paulista. Dos hombres habían ido a encontrarse. Identidades diferentes, objetivos diferentes. Mundos distintos. Sueños y deseos que llevan a las personas a encuentros a ciegas. ¿Qué fue lo que ocurrió? ¿Importa? Siempre el inicio es lo más importante. El que marca más. Y también el desarrollo.
¿El final? ¿No se imagina lo que pasó? ¿Qué haría usted se fuera robado? ¿Qué haría usted si fuera seducido?
Está leyendo esto ahora, ¿no es cierto? ¡Cuidado! Vaya a su cuenta y verifíquela. Mire bien a su lista de amigos virtuales. Y amigas también. Tal vez, todo eso… el tiempo que perdió acá conmigo, no sea otra cosa que intentar conseguir su atención para… así, mientras tanto…

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Un cuento nocturno

Acá entre nosotros, no voy a hablar de que manejo un camión, o que soy chofer de taxi. Son cosas tan trilladas. Ustedes ya oyeron historias de esas a montones. O las leyeron. Pero la cuestión acá es que tengo un hábito, una manía, un disfrute. Es escuchar la radio, a la noche, mientras manejo el coche por la ciudad desierta. Bien de madrugada.
Y es eso lo que hage mi día de trabajo. Pero además de subirme al coche, necesito también oír la radio. Especialmente el show de Marinho, un tipo que, además de pasar la mejor música, es realmente un show en persona, muy inteligente, genial. Pretendo no perderme ni un programa. Porque hay cosas interesantes. Porque las personas, los oyentes, lo llaman. Pero no solamente los fanáticos. Persoas que lo escuchan, indicadas por otras, y a medida que el asunto se va desarrollando quieren participar. Así voy pasando mis noches.
Tal vez ustedes nunca hayan reparado cuánto es linda la ciudad donde viven durante la noche. Cuando la locura, la vorágine abre paso a la calma, el silencio. Apenas las luces encendidas de las avenidas, algun perro suelto lamiéndose después de meter la cabeza en la basura. El cielo que no vemos diariamente más que corroborar si va a llover o no, se ilumina y adquiere una belleza conmovedora. La ciudad solitaria, amiga, es por la noche. Para sufrir de soledad, para disfrutarla también. Para aprovechar una buena compañía, o apenas para pensar, oír, e intentar mantener o aumentar nuestra sensibilidad. La noche es amiga del pensamiento, aliada de los sueños y cómplice de las mayores locuras.
Y hoy no va a ser distinto. Voy por más. Quiero respirar el aire fresco, libre de la noche. Andando en coche, con la ventanilla abierta, mi brazo relajado, apoyado y manejando tranquilo, sin rumbo. De ojos bien abiertos para verlo todo. Para oxigenar un alma contaminada por lo cotidiano.
— Hola!!! Buenas noches, gente linda, gente fea, gente de bien, marginales de la ley. Este es nuestro show de cada noche. El show que hacemos juntos. Participen. Sepan que es eso el fundamento de todo esto. Quiero oírlos, cambio historias verdaderas o imaginarias por canciones. Y así nos haremos compañía esta noche, como cada noche. Como todas las otras – dijo el locutor, con voz ronca y amena- hoy vamos a escuchar a aquellos que quieran contar alguna cosa. El teléfono ya está habilitado. Pero antes de empezar… vamos a romper el hielo. Val, ponete ya, ya la canción para abrir nuestra noche.
- Escuchen – susurra el locutor ahora. – Y empiecen a entrar en clima. Vamos! Música en el aire.
Voy a decirles que manejar así, con música y sin nadie por las calles es maravilloso. Te da una fuerza… una sensación de ser el dueño del mundo. Por lo menos por algunos momentos. Acabo olvidándome de las miserias cotidianas. No me preocupo con el precio del combustible. Pueden creerme?
Cuántas veces cada uno de ustedes volvió manejando, o en colectivo, a las dos de la madrugada de un día de semana en una noche estrellada? Sin volver borrachos o con unas ganas insoportables de llegar a casa y acostarse. Con ganas de bajar y gritar a los cuatro vientos el nombre de la persona que les gusta, o dar un grito de rabia contenida, o quedarse sentado mirando la nada y escuchando el silencio.
— Son las dos y cuarenta y tres minutos. Linda hora para escuchar a nuestro próximo oyente. Despues de esta canción inspiradora… nada mejor. Hola? Quién está del otro lado, por favor?
— Armando.
— Hola Armando. Cómo estás? Qué te hizo llamar hoy acá? — preguntó el locutor.
— La verdad, quería preguntar: por qué la sinceridad se paga?- Y se hizo un breve pero expresivo silencio. Es que últimamente estoy conversando mucho con una compañera del trabajo, nos entendemos bien… la encuentro muy interesante, me deslumbra su inteligencia…
— Sí, te entiendo, Armando… sé a lo que te referís — interrumpió el locutor con un tono amigo y compinche.
— Pero no… no… no… no es lo que estás pensando. No. Es que necesitaba contarle a mi mujer. Nunca hubo secretos entre nosotros. Y como no quiero, no hice nada… me pareció bien contarle. Apenas para abrirme y pasarle confianza. Que confíe en mí.
— Aha… buena actitud, Armando. Muy buena… entonces?-
— A ella no le gustó , no le gustó nada. – respondió Armando. Y siguió: – aunque me llamó hoy para disculparse.
— Caramba, compañero! Qué pretendías, eh? — pensaba yo, mientras manejaba por una de las avenidas desiertas y escuchaba la charla que se sucitaba en el programa. – La mujer necesita rigor. Si mostrás debilidad, sinceridad en dosis extremas, la cagaste mi viejo.
Y seguía manejando aproximándome del lago.
El conductor de radio entonces dijo: — Bueno, creo que es normal que actúe de esa forma. El problema no está en ella… o vos creés Armando, que si ella te dice alguna cosa así, vos te quedarías tranquilo. Creo que tenés que ser sincero con vos mismo. Sos feliz con tu mujer? Armando respondió: — Sí. Ahora no es como al principio, claro. La rutina ganó espacio. Pero me gusta mucho, la amo.
— Armando!!! — interrumpió de nuevo el locutor — si no sos feliz, debés pensar primero en lo que te haría feliz, y a continuación, decírselo a ella…si creés que es ella la que te debe acompañar en tu camino. Mirá… siempre, siempre, siempre pensá con el corazón. Es el dueño de la noche. Fue el único espacio del día que le restó. – le explicaba el conductor del programa. Y así lo despidió: – Buenas noches Armando. Lo mejor para vos y gracias por tu compañía. E concluyó: — Y ahora, para Armando y para todas las personas con el corazón inquieto, va esta canción. Escúchenla!
La oí acostado en el capó del coche, mirando para el cielo rosa, tormentoso, amenazante. Y me reía. Y pensé:
— Macho, te gusta tu compañerita? Le gustás a ella? Y por qué no van a hacer lo que manda el manual? Sin rodeos. Y tu mujer… no va a saber, no necesita saberlo. Ya oí decir que, a veces, eso salva casamientos. El hombre no puede ser blando. No puede dar ventajas. Yo lo sé. Si ella te agarra en un momento de debilidad, fuiste viejo!
Una linda noche, tranquila, sin viento. Puede llover. Pero eso también abre las puertas para estas cosas. Historias donde se cruzan apasionados, escépticos, solitarios, jóvenes, viejos, mujeres y hombres. La noche es eso, el reducto que sobró para que nosotros, seres humanos, nos descubramos nuevamente personas sensibles. Porque durante el día, necesitamos la mayor parte del tiempo, colocar el uniforme de trabajo, la responsabilidad, y nos tomamos las cosas demasiado en serio. Perdemos la sensibilidad. Para cubrirnos con la capa de la sobriedad, de la seriedad, donde no hay casi espacio para las emociones.
- Yo no sé para qué se casan. Pasan dos, tres, cinco años… y después termina. Se acaba. Todo el tiempo hablan de la rutina. Será que es eso mismo? O es que se acaba el deseo? O las dos cosas? Yo no sé. Prefiero mantener esta soledad acompañada. De vez en cuando, me encuentro con alguna. Cuando se presenta, porque con mujer casada es así. Y la verdad, prefiero así. No te rompe as pelotas, no dan trabajo, no protestan, no se arroga ningún derecho. Y, además, hay noches que me permite hacer esto que estoy haciendo hoy. Mirá si no es lindo. El silencio… el cielo, las luces, respirar este aire.
— Bien, mis queridos oyentes — dijo el radialista — así se termina una noche más de este programa. Una noche más en la que pudimos liberar esa parte cautiva. Aquella que está presa. Los miedos, los sentimientos. Gracias a todos por participar y compartirlo con nosotros. Y nos encontramos de vuelta… cada noche, a la misma hora. Es nuestro encuentro, junto nuestra cómplice de siempre. Chau.

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Tiempo

Tic, tac, tic, tac…
Nacemos, nos expulsan de un lugar confortable. Allá, donde estábamos, no había riesgos de los rayos UV, no necesitábamos protector solar, no había peligros de cáncer de piel. Tardamos nueve meses, en general, ¿y adónde vamos a parar? Después, todo empieza a correr, incluso cuando todavía no conseguimos mantenernos de pie, muchísimo menos acompañar al trote.
Tic, tac, tic, tac…
Con el pasar de los años, ayudados por la invención más ridícula y perversa que el hombre ha realizado, comenzamos a sufrir con ese barullo inconsciente. Queremos ser grandes cuando somos chicos, soñamos todo el tiempo en tener la vida de ésos que son independientes, de los que no necesitan responder a las preguntas incómodas de sus padres, que hacen de sus vidas lo que a ellos les viene en ganas. Entonces, nuestra infancia se divide en el disfrute de los juegos y la mirada que añora los tiempos que todavía no llegaron.
La adolescencia, entonces, es mucho peor… corremos buscando aquello que veíamos desde niños, con más rabia, con más ansiedad, con mayor energía y rebeldía. Y seguimos persiguiendo lo que está por venir…
Tic, tac, tic, tac…
Qué gracioso! Ahora, siendo adultos, las cosas deberían ocurrir más lentamente, ¿no? A los 40 estamos fuera del mercado de trabajo, a los 30 si no nos casamos nos miran de reojo diciendo “algo debe haber con él o con ella”; si no formamos una familia pueden recaer sobre nosotros las más diversas denuncias: homosexual, anarquista, reaccionario, pos-moderno…
Llegamos hasta acá corriendo, saltando de dos en dos los escalones.
- Necesito terminar ya la facultad; ya debería estar haciendo la maestría – es una de las frases más escuchadas hoy en día.
Mientras tanto, no damos la debida atención que requiere nuestra vida. Nos pasan por al lado personas, oportunidades, paisajes, amaneceres que no conseguimos ver, porque estamos durmiendo tras una larga noche de estudios, o demasiado ocupados con la rutina. Puestas de sol que no podemos apreciar, porque debemos volver a casa para hacer cosas, a preparar otras para el día siguiente.
Tic, tac, tic, tac…
¿Cuál es el apuro? Si después, con todo eso, ni logramos aprovechar una pequeña parte de lo que vivimos ¿Qué fue de aquellos tiempos en que los viejos eran reverenciados, oídos porque habían acumulado experiencias que los más jóvenes estaban deseosos de aprender? Hoy, discriminados, olvidados, al final de la fila… son injusticiados. No forman parte del vértigo, de la vorágine. No pueden. No siguen el ritmo.
Sé que la edad no es garantía de nada. Quiero dejar claro eso. Aprovechamiento es lo que hace a una persona ser capaz, interesante, atractiva. Con o sin arrugas. Al final, Oscar Wilde entendió muy bien las señales que vendrían y que son cada vez más y más vigentes. Jóvenes eternos, patéticos bosquejos de realizaciones que nunca se realizan. Si fracasamos, las mayoría de las veces, por lo menos parezcamos felices.
Tic, tac, tic, tac…
El segundero del despertador nos provoca insomnio. Y cada golpe del reloj, un golpe seco, nos recuerda que nos resta menos tiempo. Qué es lo que hemos hecho? ¿Qué podemos dejarles a los demás? El despertador no para, ya son las tres de la mañana e no conseguimos dormir porque a las cinco y media tenemos que despertarnos. El trabajo espera. Las cuentas, las tarjetas, las obligaciones… Corremos. ¿De qué huímos con tanta prisa? Debe ser por eso que lo que se estudia en las universidades se llama carrera. Nos abren las puertas, las gateras, el disparo para que comencemos a correr desaforadamente en busca de la meta.
Tic, tac, tic, tac…
¿No es el despertador el que hace este ruido? ¿Será que así, de esta forma, conseguiremos darnos cuenta de que es al pedo todo eso?
Tal vez seamos más libres, más alegres si no nos aferramos a cirugías, gimnasios y limpieza de piel para disimular el paso del tiempo. Si el sol es malo, la hamburguesa también lo es. Y querer hacer todo bien termina dando igual. El sonido del reloj, el tiempo. Gran invento… que nos adiestra. Y lo seguimos dóciles.
El otro día, vi en la playa a un tipo de unos 45 años o más. Jugaba al vóley, después paseaba con su novia, notoriamente más joven que él. Creo que se gustaban. También creo que ella era la autoafirmación de él, como un cartel que dice “todavía soy codiciado, estoy dentro”. Y fue ahí que reflexioné sobre mí mismo.
Ya no disfruto el sexo como antes. Prefiero mucho más, cosas menos volubles y pasajeras. ¿Cuánto dura un orgasmo? ¿Y después?
El verdadero desafío es, realmente, dividir esa trampa. El tiempo, claro!. Ver un amanecer, una puesta de sol, intercambiar impresiones sobre un paisaje en el que nos detengamos, perdiendo la noción de lo que pasa a nuestro alrededor. Perder la noción de la invención. Nos acostamos en el césped, miramos para arriba y sentimos como todo empieza a girar, las nubes formando figuras que se desplazan sobre fondo azul. Todo gira porque estamos dando vueltas arriba de una bola gigantesca que no para y que nosotros quisimos cuantificar, mensurar, medir y dominar.
Como si no bastara — después de eso — ofrecemos el triste, lamentable y engañoso artificio de que ese mismo recorrido natural sea detenido, simulado. Y parezcamos o intentemos parecer otra cosa. PerdimoTiempo
Tic, tac, tic, tac…
Nacemos, nos expulsan de un lugar confortable. Allá, donde estábamos, no había riesgos de los rayos UV, no necesitábamos protector solar, no había peligros de cáncer de piel. Tardamos nueve meses, en general, ¿y adónde vamos a parar? Después, todo empieza a correr, incluso cuando todavía no conseguimos mantenernos de pie, muchísimo menos acompañar al trote.
Tic, tac, tic, tac…
Con el pasar de los años, ayudados por la invención más ridícula y perversa que el hombre ha realizado, comenzamos a sufrir con ese barullo inconsciente. Queremos ser grandes cuando somos chicos, soñamos todo el tiempo en tener la vida de ésos que son independientes, de los que no necesitan responder a las preguntas incómodas de sus padres, que hacen de sus vidas lo que a ellos les viene en ganas. Entonces, nuestra infancia se divide en el disfrute de los juegos y la mirada que añora los tiempos que todavía no llegaron.
La adolescencia, entonces, es mucho peor… corremos buscando aquello que veíamos desde niños, con más rabia, con más ansiedad, con mayor energía y rebeldía. Y seguimos persiguiendo lo que está por venir…
Tic, tac, tic, tac…
Qué gracioso! Ahora, siendo adultos, las cosas deberían ocurrir más lentamente, ¿no? A los 40 estamos fuera del mercado de trabajo, a los 30 si no nos casamos nos miran de reojo diciendo “algo debe haber con él o con ella”; si no formamos una familia pueden recaer sobre nosotros las más diversas denuncias: homosexual, anarquista, reaccionario, pos-moderno…
Llegamos hasta acá corriendo, saltando de dos en dos los escalones.
- Necesito terminar ya la facultad; ya debería estar haciendo la maestría – es una de las frases más escuchadas hoy en día.
Mientras tanto, no damos la debida atención que requiere nuestra vida. Nos pasan por al lado personas, oportunidades, paisajes, amaneceres que no conseguimos ver, porque estamos durmiendo tras una larga noche de estudios, o demasiado ocupados con la rutina. Puestas de sol que no podemos apreciar, porque debemos volver a casa para hacer cosas, a preparar otras para el día siguiente.
Tic, tac, tic, tac…
¿Cuál es el apuro? Si después, con todo eso, ni logramos aprovechar una pequeña parte de lo que vivimos ¿Qué fue de aquellos tiempos en que los viejos eran reverenciados, oídos porque habían acumulado experiencias que los más jóvenes estaban deseosos de aprender? Hoy, discriminados, olvidados, al final de la fila… son injusticiados. No forman parte del vértigo, de la vorágine. No pueden. No siguen el ritmo.
Sé que la edad no es garantía de nada. Quiero dejar claro eso. Aprovechamiento es lo que hace a una persona ser capaz, interesante, atractiva. Con o sin arrugas. Al final, Oscar Wilde entendió muy bien las señales que vendrían y que son cada vez más y más vigentes. Jóvenes eternos, patéticos bosquejos de realizaciones que nunca se realizan. Si fracasamos, las mayoría de las veces, por lo menos parezcamos felices.
Tic, tac, tic, tac…
El segundero del despertador nos provoca insomnio. Y cada golpe del reloj, un golpe seco, nos recuerda que nos resta menos tiempo. Qué es lo que hemos hecho? ¿Qué podemos dejarles a los demás? El despertador no para, ya son las tres de la mañana e no conseguimos dormir porque a las cinco y media tenemos que despertarnos. El trabajo espera. Las cuentas, las tarjetas, las obligaciones… Corremos. ¿De qué huímos con tanta prisa? Debe ser por eso que lo que se estudia en las universidades se llama carrera. Nos abren las puertas, las gateras, el disparo para que comencemos a correr desaforadamente en busca de la meta.
Tic, tac, tic, tac…
¿No es el despertador el que hace este ruido? ¿Será que así, de esta forma, conseguiremos darnos cuenta de que es al pedo todo eso?
Tal vez seamos más libres, más alegres si no nos aferramos a cirugías, gimnasios y limpieza de piel para disimular el paso del tiempo. Si el sol es malo, la hamburguesa también lo es. Y querer hacer todo bien termina dando igual. El sonido del reloj, el tiempo. Gran invento… que nos adiestra. Y lo seguimos dóciles.
El otro día, vi en la playa a un tipo de unos 45 años o más. Jugaba al vóley, después paseaba con su novia, notoriamente más joven que él. Creo que se gustaban. También creo que ella era la autoafirmación de él, como un cartel que dice “todavía soy codiciado, estoy dentro”. Y fue ahí que reflexioné sobre mí mismo.
Ya no disfruto el sexo como antes. Prefiero mucho más, cosas menos volubles y pasajeras. ¿Cuánto dura un orgasmo? ¿Y después?
El verdadero desafío es, realmente, dividir esa trampa. El tiempo, claro!. Ver un amanecer, una puesta de sol, intercambiar impresiones sobre un paisaje en el que nos detengamos, perdiendo la noción de lo que pasa a nuestro alrededor. Perder la noción de la invención. Nos acostamos en el césped, miramos para arriba y sentimos como todo empieza a girar, las nubes formando figuras que se desplazan sobre fondo azul. Todo gira porque estamos dando vueltas arriba de una bola gigantesca que no para y que nosotros quisimos cuantificar, mensurar, medir y dominar.
Como si no bastara — después de eso — ofrecemos el triste, lamentable y engañoso artificio de que ese mismo recorrido natural sea detenido, simulado. Y parezcamos o intentemos parecer otra cosa. Perdimos la dignidad hace mucho tiempo. Tiempo… eso mismo.
Tic, tac, tic, tac…
Mis queridos amigos, necesito dejarlos… mañana mi día comienza a las seis y media. Es el reloj, el tiempo que manda, no me le escapo… nadie lo hace. A pesar de los cirujanos, de los gimnasios, de los bloqueadores factor 200….
— ¿Es molesto ese ruido, no?
— Calma.. um día para.
Tic, tac, tic, tac… tic, tac, tic, tac…

s la dignidad hace mucho tiempo. Tiempo… eso mismo.
Tic, tac, tic, tac…
Mis queridos amigos, necesito dejarlos… mañana mi día comienza a las seis y media. Es el reloj, el tiempo que manda, no me le escapo… nadie lo hace. A pesar de los cirujanos, de los gimnasios, de los bloqueadores factor 200….
— ¿Es molesto ese ruido, no?
— Calma.. um día para.
Tic, tac, tic, tac… tic, tac, tic, tac…

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